Estreando em grande estilo como a nova capa digital da Backstage Mag, o artista Tio Sam dá um passo super importante em sua trajetória com o lançamento de “Dale Olê”. Muito mais do que seu primeiro single autoral, a faixa, já disponível em todas as plataformas digitais, nasce com a ambição de se tornar um verdadeiro hino de celebração nacional. Produzido em Hollywood por Guilherme França e com o cavaquinho autêntico de PC Macabu, o projeto une a paixão pelo futebol e o groove brasileiro em uma sonoridade atual e contagiante, desenhada para embalar a torcida rumo ao sonho do hexacampeonato.
A obra reflete diretamente a bagagem de suas origens no subúrbio do Rio de Janeiro, onde sua musicalidade foi moldada pelo samba, pelo pagode e pela capacidade tipicamente carioca de transformar a dificuldade em festa. Essa essência comunitária e calorosa se manteve intacta no DNA do artista, servindo como base emocional para que ele pudesse dar vida a um refrão universal. Planejada para tocar nos estádios, a música traz uma linguagem que rompe fronteiras, permitindo que estrangeiros do Japão à Índia cantem juntos, movidos pelo sentimento e pela energia contagiante do nosso país.
Ouça o single:
Morar nos Estados Unidos trouxe para o cantor uma perspectiva profunda sobre o que significa estar longe de casa. Diante do silêncio cultural e da saudade do ambiente humano brasileiro, o processo de escrita e produção de “Dale Olê” funcionou como uma terapia e uma forma de encurtar distâncias. Transformando a solidão em criação, Tio Sam construiu uma ponte cultural capaz de apresentar a alma e a vibração do Brasil para o público internacional, servindo como o esquenta perfeito para o seu próximo álbum, previsto para o segundo semestre deste ano.
Em entrevista exclusiva, Tio Sam abre o coração sobre o sentimento de vulnerabilidade ao expor sua primeira composição autoral e revela como a saudade do Brasil e as memórias afetivas da infância no subúrbio carioca foram terapêuticas para criar a identidade de “Dale Olê”. Ele detalha ainda o desafio de projetar um refrão simples e universal capaz de unir diferentes culturas pelo mundo através do futebol e da música, reforçando o orgulho de levar a essência e o calor do povo brasileiro para o exterior. Confira o bate-papo completo a seguir:
Como é para ti ver o single “Dale Olê” disponível nas plataformas digitais? Principalmente por ser o seu primeiro single autoral da carreira?
É um sentimento muito forte porque “Dale Olê” representa mais do que uma música. Ela simboliza um começo. Eu sempre tive a música presente na minha vida, mas nunca vivi isso de forma tão intensa ou profissionalmente voltada para a minha própria arte como nos últimos 2 anos. Então ver esse single nas plataformas é como dar um passo importante e finalmente compartilhar minha identidade artística com o mundo.
Por ser meu primeiro trabalho autoral, existe também uma vulnerabilidade muito grande. Quando você canta algo de outros artistas, existe uma proteção. Quando é sua arte, sua mensagem e sua verdade, você se expõe completamente. Mas ao mesmo tempo isso traz liberdade.
“Dale Olê” nasce da alegria brasileira, do futebol, da rua, do samba, da energia coletiva que a gente carrega naturalmente. E lançar isso morando fora do Brasil tornou tudo ainda mais simbólico. É como dizer: “eu continuo daqui”.

Você atualmente mora nos Estados Unidos e comentou sobre o sentimento delicado de solidão cultural que quem vive no exterior costuma sentir. Lançar uma música sobre o Brasil foi uma forma de encurtar essa distância e se sentir em casa?
Com certeza. Quem mora fora entende que existe um tipo de saudade que não é só da família ou da comida. É saudade do ambiente humano brasileiro. Do jeito que as pessoas falam, brincam, vivem a música, o futebol, o calor social. Aqui nos Estados Unidos eu aprendi muita coisa, cresci muito, mas também senti esse silêncio cultural.
“Dale Olê” virou uma forma de reconexão. Enquanto eu escrevia e produzia a música, parecia que eu estava acessando memórias afetivas da minha infância, do Rio de Janeiro, da rua, das pessoas celebrando juntas. Foi quase terapêutico.
A música me permitiu transformar saudade em criação. Em vez de só sentir falta do Brasil, eu consegui construir algo que carregasse essa energia para perto de mim outra vez.
Você planejou um refrão universal, pensando no amor que países como o Japão e a Índia têm pelo futebol brasileiro. Como foi o desafio de criar uma letra que fizesse sentido para nós, mas que também pudesse ser entoada por estrangeiros ao redor do mundo?
Esse foi um dos maiores desafios do projeto. Eu queria criar algo que tivesse identidade brasileira real, sem diluir nossas raízes, mas ao mesmo tempo fosse simples o suficiente para qualquer pessoa cantar mesmo sem falar português.
O futebol ajudou muito nisso porque ele já é uma linguagem universal. Quando alguém pensa no Brasil lá fora, normalmente pensa em alegria, ritmo, celebração e futebol. E foi justamente o Gui França, meu produtor, quem trouxe a ideia do refrão tentando capturar exatamente essa sensação coletiva.
Eu pensei muito em estádio, em torcida, em canto espontâneo. Queria que uma pessoa no Japão, na Índia, nos Estados Unidos ou em qualquer lugar do mundo pudesse ouvir e sentir vontade de cantar junto mesmo sem entender cada palavra. Acho que música boa também funciona no sentimento.

Sua trajetória começou no subúrbio do Rio de Janeiro e hoje você constrói sua carreira nos EUA. Como a vivência na periferia carioca continua viva e presente na sua música, mesmo morando fora do país?
A periferia nunca sai da gente porque ela molda a forma como você enxerga o mundo. Minha musicalidade nasceu ouvindo samba, pagode, funk, igreja, futebol na rua, gente simples transformando dificuldade em alegria. Isso virou minha base emocional e artística.
Mesmo vivendo nos Estados Unidos, eu continuo carregando essa estética humana do subúrbio carioca. O jeito de cantar, a cadência, o senso de comunidade, a valorização da alegria mesmo em ambientes difíceis. Tudo isso continua presente.
E morar fora me fez perceber ainda mais o valor dessa origem. Às vezes você só entende a potência cultural do lugar de onde veio quando está distante dele.
Viver em outra cultura muda a forma como a gente enxerga a nossa própria terra. O que o fato de estar nos Estados Unidos te fez valorizar ainda mais na essência e na alegria do povo brasileiro?
O brasileiro tem uma capacidade muito rara de criar conexão humana. Aqui eu percebi o quanto nossa cultura é calorosa, espontânea e emocionalmente viva. O Brasil tem muitos problemas, mas também tem uma força humana difícil de explicar para quem nunca viveu isso.
Eu passei a valorizar ainda mais nossa criatividade, nossa musicalidade natural e essa capacidade de transformar encontros simples em momentos especiais. O brasileiro canta junto, dança junto, sofre junto e comemora junto. Existe uma energia coletiva muito forte.
Estar longe me fez enxergar que isso não é comum no mundo inteiro. E talvez justamente por sentir falta disso eu tenha sentido tanta necessidade de colocar essa essência dentro da minha música.

O futebol e a música são conhecidos por ultrapassar fronteiras. Como você enxerga o papel de “Dale Olê” como uma ponte cultural que apresenta a nossa energia para o público americano e internacional?
Eu vejo “Dale Olê” como uma celebração cultural brasileira apresentada de uma forma acessível para o mundo. Não é só uma música sobre futebol. É sobre pertencimento, alegria coletiva e identidade.
A música e o futebol conseguem unir pessoas que falam idiomas diferentes, vivem realidades diferentes e cresceram em culturas diferentes. Isso é muito poderoso. E o Brasil sempre teve uma imagem muito forte ligada à arte, ritmo e paixão.
Minha intenção foi transformar essa energia em som. Fazer uma música que apresentasse um pouco da alma brasileira sem precisar explicar demais. Porque quando a energia é verdadeira, as pessoas sentem.
Eu acho bonito pensar que alguém que nunca pisou no Brasil pode ouvir “Dale Olê” e sentir um pouco dessa vibração que faz parte da nossa cultura






























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