Para a atriz Luísa Locher, de 23 anos, o Dia Internacional da Mulher é um momento de destacar que sua carreira é uma busca constante por entender o ser humano. Com uma trajetória que une o audiovisual e o teatro, representar mulheres vai muito além do entretenimento para ela, é um ato de ocupação de espaços e de celebração das nuances femininas que, por muito tempo, foram simplificadas na dramaturgia.
Nascida em São Carlos, interior de São Paulo, Luísa sentiu a veia artística pulsar desde a infância, mas foi em 2018, ao se emocionar com o espetáculo O Fantasma da Ópera, que decidiu que seu destino seria viver e provocar experiências através da atuação. Para ela, atuar é “viver várias vidas dentro de uma” e, no contexto atual, essa multiplicidade é uma ferramenta poderosa de representatividade.
Ao analisar a multiplicidade de suas personagens, Luísa destaca que o ofício de atuar traz esse presente de poder viver as diferentes facetas. Segundo a atriz, cada projeto permite entrar em contato com dores, forças, contradições e desejos distintos. “Isso amplia, a cada projeto, o meu olhar sobre o feminino e sobre a história de cada uma dessas mulheres. Não apenas sobre as facetas de ser mulher hoje, mas sobre as múltiplas formas de ser mulher, em diferentes tempos, contextos e realidades”, afirma.
Luísa defende que a presença de mulheres reais, com falhas e contradições, é o que permite uma identificação profunda com o público. Segundo ela, ao fugir de rótulos simplistas como “mocinha” ou “vilã”, a narrativa ganha honestidade. “Cada personagem me trouxe a possibilidade de entrar em contato com dores, forças e desejos diferentes. Isso amplia meu olhar não apenas sobre o ser mulher hoje, mas sobre as múltiplas formas de ser mulher em diferentes tempos e realidades”.

Mesmo em ambientes ainda marcados pela liderança masculina, como o audiovisual e o teatro, a atriz impõe sua voz através do preparo e da clareza técnica. Luísa explica que chega aos sets com estudo e consciência de sua visão artística, sustentando o que acredita e mantendo-se aberta ao diálogo, sempre confiando no próprio olhar. Essa maturidade reflete sua trajetória, que teve um marco importante na personagem Edna, da série vertical Troca de Noivos. “Foi a primeira personagem que vivi em uma nova fase da minha vida pessoal e profissional, e isso fez com que o processo tivesse um peso especial”, relembra.
Como mensagem para as jovens que desejam seguir o caminho da arte mas temem os desafios do mercado, Luísa é enfática ao dizer que a relação com o próprio olhar artístico deve ser a prioridade. “A arte não exige pressa, exige presença. O mercado tem desafios, sim, mas eles não podem ser maiores do que a relação que você constrói consigo mesma e com o seu olhar artístico. Quanto mais você se conhece, mais consistente fica o seu caminho”, finaliza.






























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