Dona Olga na Backstage Digital | Ed. 81

É com o pé no acelerador e o coração aberto que a Dona Olga estrela a capa digital deste mês na Backstage Mag. Celebrando o lançamento do single “Invisível”, que chega ao público no dia 24 de abril via Marã Música, a banda paulistana reafirma seu espaço na cena independente. A nova faixa é um divisor de águas que equilibra a agressividade do hardcore com reflexões profundas sobre as marcas que carregamos. Faça agora o pré-save!

Desde 2019, a Dona Olga vem construindo uma identidade sólida, mas é em “Invisível” que a banda atinge sua forma mais visceral. Com uma produção técnica refinada e a busca por uma sonoridade moderna, o grupo utiliza a música para explorar as nuances entre os desejos e a realidade. O resultado é um som direto, que traduz as inquietações do presente e prepara o terreno para a próxima fase artística da banda, reafirmando seu compromisso com a verdade e a intensidade do rock.

Nessa entrevista, os integrantes mergulham nos bastidores criativos do novo single, revelando como a resiliência e as histórias pessoais moldaram a letra. Eles discutem a evolução para um som mais pesado e profissional, a importância das novas parcerias no estúdio e como conseguem equilibrar mensagens introspectivas sobre o tempo e a vida com a energia explosiva necessária para conectar-se imediatamente com o público.

Confira agora a entrevista:

“Invisível” traz essa dualidade entre desejo e realidade, algo que aparece tanto na letra quanto no conceito. Como vocês chegaram nesse ponto de reflexão? Foi algo que já vinha sendo trabalhado ou surgiu mais naturalmente durante a composição?

Essa reflexão surgiu de forma muito natural, quase como um desabafo necessário. A gente vive em uma pressa constante, e “Invisível” acabou sendo o nosso momento de frear e olhar para dentro. A letra foca muito em virtudes como a resiliência e a paciência — tanto com as relações quanto com o próprio tempo. Percebemos que o desejo de “ser melhor” passa obrigatoriamente por reconhecer nossas limitações e erros. Não foi um conceito planejado de antemão, mas algo que brotou conforme a gente discutia as intenções de cada estrofe no estúdio.

Créditos: Felipe Miyamoto

A faixa marca um momento de consolidação da identidade da banda, com uma sonoridade mais intensa. O que vocês sentiram que mudou em vocês, como artistas e como banda, para chegar nesse som mais direto e hardcore?

O que mudou foi o nosso desejo de profissionalismo e a busca por uma pegada mais moderna. O álbum anterior (Entrando Numas) tinha o frescor do ao vivo, mas agora queríamos explorar camadas. Para chegar nesse som mais direto e intenso, a gente se permitiu gravar os instrumentos separados, focando em timbres que realmente dessem esse soco no estômago. A entrada do Bill Zander foi o divisor de águas: ele trouxe essa bagagem do rock que a gente ama ouvir e ajudou a traduzir nossa evolução técnica em uma sonoridade mais madura e profissional.

Vocês falam muito sobre as marcas e histórias que carregamos, mesmo quando são “invisíveis”. Teve algum momento específico ou experiência que serviu como ponto de partida emocional pra música?

O ponto de partida é a consciência de que todo mundo carrega uma bagagem que ninguém vê. A música nasceu dessa vontade de falar sobre seguir em frente sem assumir o papel de vítima da própria história. Não houve um único evento isolado, mas sim o acúmulo das nossas histórias como banda e como amigos. Essas “cicatrizes” são o que nos dão base para um futuro de mais escuta e amor. A composição do Lucas Kaizer captou esse sentimento de que as marcas do passado não precisam ser um peso, mas sim o combustível para a resiliência.

Créditos: Felipe Miyamoto

Apesar da carga mais introspectiva, a música também traz uma mensagem sobre viver o presente. Como vocês equilibram essa profundidade emocional com a intenção de criar algo que também conecte de forma imediata com o público?

O segredo desse equilíbrio foi o processo no Estúdio Navedois. O fato de termos o privilégio de compor sem a pressão do “relógio” permitiu que a gente aprofundasse na mensagem, mas a base de “muita cerveja, conversa e diálogo” garantiu que a energia da banda não se perdesse. A gente buscou uma sonoridade moderna e Rock justamente para que, mesmo com uma letra profunda, o impacto sonoro fosse imediato. É um paradoxo: a música fala de algo íntimo, mas a sonoridade convida o público para o grito, para a baquetada forte e para a energia do agora.

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