Americana Jazz Big Band na Backstage digital | Ed. 87

A Americana Jazz Big Band dá um importante passo em sua trajetória com o lançamento do single e videoclipe de “Cheek to Cheek“, clássico do jazz que chega às plataformas no dia 10 de julho pela Marã Música. Criado em 2022 no interior de São Paulo, longe dos eixos tradicionais do gênero, o grupo desafia a velocidade do mercado moderno ao investir na grandiosidade e na sofisticação das big bands, provando que arranjos históricos continuam extremamente atuais. Faça o pré-save clicando aqui!

Para este lançamento, a banda mergulhou no arranjo original de Paul Weston, eternizado na voz de Ella Fitzgerald, contando com a participação especialíssima da cantora Mila Barros. Gravada ao vivo em uma igreja na cidade de Americana (SP), cuja acústica singular ajudou a moldar a sonoridade do projeto, a faixa traduz a essência da música feita coletivamente, unindo o balanço do swing clássico com o frescor de uma interpretação cheia de personalidade.

Em entrevista, os músicos contam o que os motiva a manter viva a tradição das grandes formações das décadas de 1940 a 1960 e de que forma equilibram o respeito a essa herança com a busca por uma identidade própria. Eles contam também sobre os bastidores da gravação ao vivo na igreja, os desafios e as ricas recompensas de cultivar uma cena de jazz no interior paulista, e o que este aguardado primeiro álbum revela sobre o papel que a banda pretende desempenhar no cenário contemporâneo nacional.

Confira agora:

Em uma época em que a música é consumida cada vez mais rápido, o que motiva a Americana Jazz Big Band a investir em formações grandes e em arranjos históricos, mantendo viva uma tradição que remonta às décadas de 1940, 1950 e 1960?

Vivemos um momento em que o consumo de música acontece de forma muito rápida, mas acreditamos que isso não diminui o valor das obras que atravessam gerações. Pelo contrário, entendemos que existe um papel importante em preservar e difundir um patrimônio musical que ajudou a construir a história do jazz e da música popular.

A big band é uma das formações mais ricas que existem do ponto de vista da escrita musical. Cada arranjo carrega décadas de conhecimento sobre orquestração, equilíbrio entre os naipes, contraponto, condução melódica e interação entre os músicos. Estudar e interpretar esses arranjos é uma forma de aprender com grandes mestres e, ao mesmo tempo, manter viva uma linguagem que continua extremamente atual.

Ao lado desse trabalho de preservação, também buscamos construir nossa própria identidade por meio de arranjos originais. Acreditamos que tradição e inovação não são opostos. Pelo contrário, é justamente o conhecimento profundo da tradição que permite criar algo novo com consistência e respeito.

Ao escolher gravar “Cheek to Cheek” a partir do arranjo criado por Paul Weston e eternizado por Ella Fitzgerald, como vocês equilibraram o respeito a essa herança musical com a necessidade de imprimir uma identidade própria à interpretação?

Nossa intenção nunca foi substituir ou reinventar um arranjo que já se tornou um clássico. Pelo contrário, enxergamos esse trabalho como uma oportunidade de homenagear uma escrita que marcou a história das big bands e do jazz vocal.

Escolhemos interpretar o arranjo original de Paul Weston justamente porque acreditamos que ele merece ser estudado, executado e conhecido pelas novas gerações. É um arranjo que ensina muito sobre escrita para grandes conjuntos e sobre a relação entre a voz e a orquestra.

Ao mesmo tempo, toda interpretação traz naturalmente a identidade dos músicos que a executam. A sonoridade da Americana Jazz Big Band, a participação especial da Mila Barros, a energia de uma gravação ao vivo e a interação entre os músicos fazem com que essa versão tenha personalidade própria, mesmo preservando integralmente a concepção do arranjo original. Para nós, respeitar a tradição também significa compreender que ela continua viva cada vez que é interpretada por novos artistas.

A Americana Jazz Big Band nasceu em 2022, no interior de São Paulo, longe dos grandes centros tradicionalmente associados ao jazz. Quais são os principais desafios e também as maiores recompensas de construir um projeto desse porte e cultivar uma cena de big band fora do eixo mais tradicional?

Talvez o maior desafio seja justamente mostrar que é possível produzir arte de alto nível fora dos grandes centros. Manter uma big band exige muito planejamento, dedicação e colaboração. Estamos falando de um grupo numeroso, com dezenas de profissionais entre músicos, equipe técnica, produção e comunicação, além dos desafios naturais de financiamento, circulação e formação de público.

Por outro lado, essa também é a maior recompensa. O interior paulista possui músicos extremamente qualificados e um público que demonstra cada vez mais interesse pela música instrumental. Ver concertos lotados, participar de festivais importantes e perceber que nosso trabalho desperta o interesse de pessoas de diferentes regiões mostra que existe espaço para esse tipo de produção artística.

Também acreditamos que a descentralização da cultura fortalece toda a cena musical brasileira. Quanto mais projetos consistentes surgirem fora dos grandes polos, maior será a diversidade artística e maiores serão as oportunidades para músicos, arranjadores e compositores.

Ao lado de Mila Barros, vocês registraram o primeiro álbum em uma igreja de Americana (SP), em uma atmosfera descrita como muito especial. O que esse trabalho revela sobre a identidade artística da banda e sobre o papel que vocês desejam ocupar na cena do jazz brasileiro contemporâneo?

Esse álbum representa muito mais do que o registro de um repertório. Ele apresenta quem somos como grupo e quais valores orientam o nosso trabalho artístico.

Optamos por gravar ao vivo porque queríamos preservar a essência da música feita coletivamente. Em uma big band, grande parte da emoção nasce da interação entre os músicos, da escuta, das dinâmicas e da energia compartilhada no momento da execução. Registrar áudio e vídeo simultaneamente foi um desafio, mas também a maneira mais honesta de mostrar a identidade da banda.

A participação da Mila Barros em Cheek to Cheek e da Manda Moraes em Dindi amplia ainda mais esse universo sonoro, mostrando que a Americana Jazz Big Band também busca dialogar com grandes intérpretes e valorizar diferentes possibilidades dentro da linguagem das big bands.

Nosso desejo é contribuir para o fortalecimento do jazz brasileiro a partir de uma perspectiva própria: preservar a tradição, investir em novos arranjos, incentivar a formação de público e mostrar que é possível desenvolver um trabalho de excelência artística a partir do interior do Brasil. Esperamos que este primeiro álbum seja apenas o ponto de partida de uma trajetória longa, capaz de conectar a história das grandes bandas com as próximas gerações de músicos e ouvintes.

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