Drenna reúne Dani Buarque (The Mönic), Ada Bellatrix (FLOR ET), MC Taya e Yasmin Amaral (Eskröta) no poderoso single “Levante”
O rock brasileiro ganha uma nova e poderosa marcha de resistência. A banda Drenna se prepara para lançar no dia 14 de agosto, o single “Levante“, quarto trabalho do álbum “Interregno – O Mundo Depois da Certeza“, apostando em uma união potente que transforma a indignação cotidiana em força coletiva. A faixa é um verdadeiro manifesto feminista em forma de música e ganha vida ao reunir cinco vozes de diferentes vertentes e estilos: Drenna Rodrigues, Dani Buarque (The Mönic), Ada Bellatrix (FLOR ET), MC Taya e Yasmin Amaral (Eskröta). Juntas e estampando a nova capa da Backstage Mag digital, elas constroem uma resposta direta ao assédio, ao silenciamento, à censura e aos mecanismos de controle historicamente impostos às mulheres.
Com uma sonoridade intensa que passeia pelo rock alternativo, punk, hardcore e rap rock, a canção utiliza guitarras densas e um arranjo marcante para resgatar a trajetória de lutas femininas e inspirar novos passos. Trata-se de uma convocação para reconhecer o próprio valor, ocupar espaços de direito e entender que nenhuma grande transformação acontece de forma isolada.
Em entrevista exclusiva, a vocalista Drenna Rodrigues e os integrantes da banda detalham os bastidores dessa parceria inédita, explicam como construíram a sonoridade pesada da faixa e revelam as mensagens de união e coragem que esperam transmitir com esse lançamento.
Como surgiu a ideia de reunir artistas tão diferentes em “Levante” e como foi trabalhar com todas elas?
A ideia nasceu de uma conversa com a Márcia Melo, produtora cultural e amiga da banda, que comentou sentir falta de uma música minha que levantasse de forma mais direta a bandeira do feminismo, embora eu já tivesse abordado o tema no álbum Desconectar. Aquilo ficou na minha cabeça.
Pouco tempo depois, encontrei a Yasmim Amaral, e foi a partir desse encontro que a música começou a deixar de ser apenas uma ideia para ganhar forma. Quando escrevi a letra, quis contar um pouco da história da luta das mulheres por igualdade e das muitas violências, explícitas e silenciosas, que ainda fazem parte dessa caminhada. Quando terminei, percebi que aquela não era uma história que faria sentido ser contada por uma única voz. A letra pedia um coro.
Cada artista que convidei representa uma forma diferente de resistência. A Yasmim trouxe a força e a potência do thrash crossover; a Dani, uma interpretação intensa e visceral; a Ada acrescentou ao arranjo toda a expressividade e a dramaticidade do saxofone; e a MC Táya trouxe a linguagem do rock mandrake, ampliando ainda mais o alcance da mensagem.
Mesmo vindo de universos diferentes, todas entenderam imediatamente o propósito da música. E eu queria justamente provocar esse encontro. Mostrar que o rock cresce quando dialoga, quando soma diferentes experiências e reconhece que existem muitas formas de levantar a voz.

A música fala sobre questões que fazem parte da vida de muitas mulheres. Qual foi a principal mensagem que vocês quiseram transmitir com a faixa?
A principal mensagem é que muitas formas de controle e violência foram tão normalizadas que, às vezes, aparecem disfarçadas de conselho, cuidado ou preocupação.
Desde muito novas, muitas mulheres escutam que precisam falar mais baixo, sentar direito, sorrir mais, se comportar, não chamar tanta atenção, não provocar, não ser agressivas, não ser ambiciosas demais. Quando reagem, são chamadas de exageradas, difíceis ou histéricas. Quando ocupam espaço, incomodam. Quando recusam, ainda precisam justificar.
Levante fala sobre essas pequenas e grandes tentativas de nos enquadrar. Sobre a vergonha colocada em nossos corpos, a cobrança para corresponder a um modelo de mulher e a ideia de que precisamos caber no que a sociedade decidiu que deveríamos ser.
Mas a música não termina na denúncia. Ela termina no movimento. É um convite para transformar indignação em ação, medo em coragem e isolamento em união. O refrão diz “nos erguemos gigantes” porque a verdadeira transformação acontece quando entendemos que não precisamos enfrentar tudo sozinhas.
“Levante” mistura rock, punk, hardcore e rap. Como vocês construíram essa sonoridade e o que cada convidada trouxe para a música?
Desde o início, eu queria que a música tivesse a força de uma marcha. Durante a construção, pensamos o arranjo para sustentar a letra, porque a mensagem precisava ocupar o centro da canção.
A forma de cantar também foi pensada para que cada palavra fosse facilmente compreendida. Por isso, a interpretação começa quase falada, mais contida e direta, mas cresce ao longo da música, aumentando gradualmente a intensidade das palavras.
O rock sempre foi uma linguagem de contestação. Então fazia sentido que essa mensagem viesse apoiada por guitarras pesadas, mas também dialogasse com outras expressões. O punk e o hardcore trouxeram agressividade e intensidade, enquanto o rap acrescentou outra forma de enfrentamento por meio da palavra. Não queríamos misturar estilos apenas pela estética, mas porque cada linguagem reforçava o que a música estava dizendo.
Também pensamos muito em preservar a identidade de cada convidada. A Yasmim trouxe a potência e a ferocidade que já carrega na Eskröta. A Dani colocou uma interpretação muito intensa e emocional. A Ada Bellatrix transformou o arranjo com o peso e a expressividade do saxofone, além de acrescentar sua voz de forma muito potente. E a MC Taya trouxe sua expressão, sua linguagem e o estilo do rock mandrake para dentro da canção.
No final, ninguém precisou abrir mão da própria identidade. Foi justamente o encontro entre essas diferentes formas de expressão que fez Levante soar tão forte.

O refrão tem uma energia de união e resistência. O que vocês esperam que o público sinta quando ouvir a canção pela primeira vez?
Espero que elas se sintam representadas, percebam que não estão sozinhas e tomem essa música para si.
Levante é um manifesto feminista. A letra carrega a força das mulheres, tudo o que já conquistamos e a vontade de ocupar nosso lugar no mundo sendo exatamente quem somos, sem precisar nos diminuir, nos moldar ou tentar caber naquilo que a sociedade decidiu que deveríamos ser.
Nós já avançamos muito e não estamos dispostas a recuar. A música também nasce dessa certeza: agora é daqui para a frente.
Mais do que apenas gostar da letra, quero que elas sintam coragem para seguir de cabeça erguida, cantar o refrão juntas e compartilhar essa energia.
O rock tem esse poder de transformar sentimento em movimento. Se, depois de ouvir Levante, uma mulher se sentir mais forte, mais representada e lembrar que ela não precisa pedir licença para existir do jeito que é, então essa música terá cumprido exatamente o propósito para o qual foi criada.





























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