Nascidos em Pernambuco e formados artisticamente entre Recife, Rio de Janeiro e São Paulo, os irmãos gêmeos Keops e Raony voltam ao formato álbum com “No Dia Que Tudo Mudou”. Primeiro disco de inéditas do Medulla desde 2016, o projeto reúne oito faixas e participações de Urias, Lirinha, Flor e Yego.
O lançamento encerra uma espera de dez anos desde “Deus e o Átomo” e consolida a reconstrução da banda após um hiato de cinco anos. Em vez de tentar reproduzir o Medulla do passado, os irmãos revisitam a própria história para construir uma linguagem compatível com o momento que vivem agora.
As composições surgiram em diferentes fases da última década e registram transformações pessoais e profissionais atravessadas pelos músicos. Identidade, desejo, medo, amadurecimento e recomeços funcionam como eixos de um disco interessado nas escolhas capazes de mudar o curso de uma vida.
“Nossa vida é marcada por pontos de virada. Essa busca constante pelo novo momento. As músicas desse disco nasceram nos últimos 10 anos das nossas vidas. Nossas vivências e verdades em música. E a gente espera tocar as pessoas que têm esse coração inquieto”, afirmam Keops e Raony.
Produzido pelo Medulla em parceria com o trio Los Brasileros, o álbum preserva a vocação híbrida do grupo. Referências de Lenine, Otto, Chico Science & Nação Zumbi, Marisa Monte e Carlinhos Brown encontram elementos do jazz contemporâneo e do R&B, aproximando diferentes tradições da música brasileira sem apagar a identidade construída pela banda.

A presença de Lirinha, artista ligado à força poética e experimental da música pernambucana, reforça esse diálogo com o Nordeste. Ao lado de Urias, Flor e Yego, o cantor participa de um repertório que usa diferentes vozes para ampliar as possibilidades narrativas e sonoras do projeto.
Beatbox, respirações, efeitos vocais e sons produzidos pelo corpo foram utilizados como bases rítmicas e texturas. Desenvolvido durante dois anos no Head Media, o trabalho recebeu mixagem de Marcelinho Ferraz e Daniel Pampuri, profissionais vencedores do Grammy com projetos relacionados a artistas como Karol G e Beyoncé.
O conceito visual, criado pelo Medulla ao lado de Léo Silva, retrata Keops e Raony como uma única pessoa dividida em dois corpos. A imagem traduz o principal conflito do álbum: a tensão entre permanecer no lugar conhecido e aceitar a transformação. As peças visuais foram produzidas em dois dias e funcionam como uma extensão da narrativa presente nas músicas.
“Esse álbum é a coragem de ir com medo mesmo, pagar pra ver o que pode acontecer, se a gente resolver mudar o rumo da vida”, resume o duo.
A retomada do Medulla começou em 2023, com “Fuder e Dormir Juntim” e uma apresentação no Lollapalooza Brasil ao lado de Lucas Silveira e Jup do Bairro. Com quase 20 anos de carreira, milhões de reproduções e visualizações, passagem pelo Primavera Sound e turnês europeias, o grupo agora leva o novo repertório aos palcos em um espetáculo com cenografia própria e convidados especiais.
A turnê de “No Dia Que Tudo Mudou” traduz para o palco a mesma proposta do álbum: reconhecer a trajetória construída pelo Medulla, mas abrir espaço para novas sonoridades, imagens e formas de apresentação.






























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