Banda triste na Backstage Digital | Ed. 87

A banda triste se prepara para lançar nas plataformas de streaming o EP Triste no Som no Sebo, via Marã Música. O trabalho, que chega aos aplicativos nesta sexta-feira (26), traz as versões ao vivo registradas para uma das sessions mais respeitadas da cena independente brasileira, transformando uma experiência que nasceu estritamente visual em um lançamento oficial de áudio para atender a um pedido antigo dos fãs. Faça já o pré-save!

O repertório de cinco faixas foi construído como uma narrativa linear que guia o ouvinte por diferentes intensidades emocionais. O EP começa de forma delicada e minimalista com “falta”, ganha corpo e energia com “routine” e “high all day”, alcança o ápice em “sabotage” e retorna à sua essência mais crua no encerramento com “secret intentions”, interpretada apenas no violão e voz. Essa dinâmica destaca a principal marca do grupo: a capacidade de transformar melancolia e vulnerabilidade em conexão direta e acolhimento para o público.

Em entrevista, a banda detalha a magia dos bastidores no sebo, explica como pensou a estrutura do setlist e reflete sobre o atual momento de transição. Após um período de produção totalmente independente e caseira, a Triste agora celebra a expansão de sua carreira e revela o desejo de levar suas canções dos palcos mais íntimos e silenciosos diretamente para as grandes plateias dos festivais de música.

Confira o bate papo completo:

O Som no Sebo se tornou uma referência importante na cena independente brasileira. Como foi transformar a experiência de gravar uma session tão visual e intimista em um lançamento oficial nas plataformas de streaming? Vocês sentiram que as músicas ganharam uma nova vida nesse processo?

Estar no Som no Sebo foi muito especial mesmo. Na nossa opinião, é muito mais emocionante assistir com o vídeo, porque tem muito carinho colocado pela equipe em todos os mínimos detalhes, e isso fica visível na session. O conjunto todo é o que mais apaixona. Mas é claro que é legal também poder ouvir o arranjo que a gente criou para tocar lá. Cada apresentação ao vivo tende a ser diferente, e diferente também do que vamos lançar produzido. Como somos uma banda nova, começar já com algo tão lindo foi uma oportunidade enorme. Mais incrível ainda é poder ter isso registrado para sempre.

O repertório do EP foi pensado quase como uma narrativa, começando de forma minimalista e crescendo em intensidade até voltar à essência com “secret intentions”. Como foi construir essa dinâmica e o que vocês queriam que o público sentisse ao percorrer essa sequência de faixas?

A gente gosta muito dos contrastes que se permite ter, dos silêncios, dos momentos de caos. Cada música tem sua vida própria e, na hora de escolher um setlist, acho que também pensamos no jeito que a gente gostaria de ouvir se fôssemos assistir. É legal levar o público para passear com a gente.

Vocês falam muito sobre vulnerabilidade e sobre a vontade de fazer com que as pessoas se sintam menos sozinhas através das canções. Houve algum retorno de fãs ou alguma história compartilhada pelo público que tenha mostrado que essa conexão realmente aconteceu?

Escrever é uma experiência bem pessoal, mas não de uma forma solitária. Para mim, é uma forma de estender a mão, tanto para eu não estar sozinha naquele sentimento quanto para outra pessoa se sentir menos sozinha também. É uma identificação, uma forma de dividir um pouco do que a gente passa. Eu escrevo desde os 12 anos, sempre foi o lugar em que tive facilidade de me expressar. Mesmo as milhares de músicas escondidas e esquecidas tiveram sua função. Mas, sobre retorno, acho que essa pergunta ainda está meio cedo para ser respondida. Eu espero que alguém se sinta abraçado por alguma coisa que eu escrevi, mas a triste ainda é bem nova. Não sei se deu tempo de acessar esse lugar ainda.

Depois de um período em que boa parte da trajetória da triste foi construída de forma independente e caseira, a banda vive uma fase de expansão e novos passos. O que mudou na visão de vocês sobre a carreira e quais são os sonhos que gostariam de realizar nos próximos capítulos da triste?

Queremos fazer mais shows, tanto shows mais íntimos, como o SNS e o Teatro do Centro da Terra, que acabamos de fazer. O Tranquilo também é outro projeto que queremos fazer, porque tem muito a ver com o silêncio e a atenção com que gostamos de nos apresentar. Mas, por outro lado, adoraríamos tocar em festivais. Estamos bem animados para tocar para grandes plateias. Acho que combina super e, no fundo, sabemos que tem um monte de gente igual à gente que ama ouvir música triste 🙂 mesmo em um festival. Agora, com banda, dá mais vontade de se aventurar, então estamos prontos para o que vier.

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