Overdrive Luna na Backstage Digital | Ed. 24

No dia 17 de março, a banda Overdrive Luna, que estampa a nova edição da Backstage Digital, lançou o EP “Road Home” em todas as plataformas digitais pelo selo Marã Música, marcando um novo capítulo da carreira. O projeto conta com a participação especial do artista IVor, trazendo uma colaboração que reforça os laços entre os dois projetos musicais.

O EP apresenta três faixas, com Road Home como música principal, e duas bônus tracks que fazem parte da iniciativa Marã Mistura, na qual artistas do selo reimaginam canções uns dos outros. Nesse caso, a Overdrive Luna criou sua versão de Dying in the Sun, do IVor, enquanto ele, por sua vez, reinterpretou Road Home.

A relação entre Overdrive Luna e IVor se estreitou ao longo de 2024, com os artistas dividindo o palco em dois shows durante o lançamento do single anterior. Esse encontro resultou de forma natural no EP, que reflete uma sinergia singular.

“Road Home” apresenta uma narrativa cinematográfica, abrindo com a imagem de um homem solitário caminhando por uma estrada envolta por uma floresta ancestral. Dying in the Sun traz um tom similar, narrando a jornada de um “eu lírico” atravessando o deserto em seus momentos finais.

A composição de “Road Home” surgiu a partir de um emaranhado de riffs e ideias dos integrantes, inicialmente pensada como uma peça para violão com influências dos clássicos spaghetti western. Com o desenvolvimento da música e a incorporação de novos elementos, a canção ganhou uma abordagem mais rock’n roll, amadurecendo ao longo do processo de produção junto a Eric Zambonini.

E para os fãs que aguardam material visual, a banda revelou que os clipes oficiais serão guardados para o segundo semestre de 2025. No entanto, um Performance Video da faixa “Road Home” será lançado em 23 de março no canal do YouTube da banda. Produzido por Jobs Videos e finalizado por Bruno Ciro, o vídeo trará uma execução visceral da música, sem narrativas paralelas, mas capturando toda a intensidade da performance ao vivo.

Confira uma entrevista exclusiva com a banda sobre o novo trabalho:

O lançamento do EP “Road Home” é um marco importante na jornada sonora da banda. Como vocês descreveriam a evolução do som da Overdrive Luna desde o início da banda até este novo projeto, e de que forma o EP reflete essa mudança?

O EP Road Home, com o perdão do trocadilho, também mostra a nossa jornada por essa estrada. É a evolução natural de nossas chamas criativas. As novas composições são obras mais refinadas em comparação às músicas de 2019.

Possuímos uma forte influência de Alice In Chains quando o assunto é arranjo de vozes, algo que nesse novo EP e no single anterior é bem evidente. O hiato que passamos no periodo de 2020 a 2024 nos permitiu explorar e descobrir novas sonoridades, o que refletiu não apenas neste EP, mas em todas as novas composições.

A colaboração com o artista IVor é uma parte crucial deste EP, com vocês reimaginando “Dying in the Sun” e ele reinterpretando “Road Home”. Como essa parceria surgiu e o que ela trouxe de novo para a identidade da banda, tanto em termos musicais quanto de conexões pessoais? 

Foi em 2024 que retornamos aos palcos e, apesar de todas as distorções e arranjos em power trio, essa banda sempre começa uma ideia nova no violão. Precisávamos de alguém que representasse isso e é aí que IVor entra na história. 

Acionamos a Marã Música (que cuidou de nosso lançamento) em busca de um artista para iniciar a noite de nosso show de reestreia e o IVor foi o primeiro a ser indicado. Ouvimos a discografia dele e não pensamos duas vezes, tinha que ser ele. Fizemos dois shows nesse período e percebemos as influências em comum. 

Essa nova conexão resultou em uma experiência totalmente nova para nós e adoramos a iniciativa. Foi incrível poder colocar a nossa visão em uma música dele, da mesma forma que foi incrível ouvir a nova interpretação dele de uma música nossa.

O aprendizado de todo esse projeto com certeza impactou na maneira de enxergarmos as composições, bem como aprimorou nossas técnicas de gravação e produção musical. Além disso, os vínculos pessoais criados com IVor e toda equipe envolvida com certeza serão duradouros, pois acreditamos que ainda faremos mais projetos juntos.

Créditos: Cesar Risco

A relação entre o grunge e a melancolia dos anos 90 parece ser uma influência chave em “Road Home”. Como essas referências se manifestam de maneira única no EP, tanto nas letras quanto na sonoridade das faixas? 

O gênero grunge possui uma certa fama de ser algo triste, mas a gente não enxerga apenas dessa forma. Nesse estilo a introspecção e o isolamento também estão presentes.
Muitas vezes é assustador ficar dentro de nossa própria mente e Road Home é um convite para esse olhar, não só musicalmente, mas visualmente também. A capa de Guilherme Gaspar ilustra a espiral de uma estrada deserta, engolida por um Lago no final. É preciso mergulhar fundo nesse labirinto para finalmente encararmos o nosso próprio reflexo. Road Home e Dying in the Sun são duas músicas introspectivas.

O EP também marca a continuidade da “mitologia amarela” na identidade visual da banda. Como essa estética visual se conecta com as temáticas das músicas, e de que maneira ela reflete a mensagem que vocês querem passar para o público?

Não é de hoje que estamos flertando com o terror, cada vez mais presente em nossas obras. Esse gênero nos permite abordar assuntos muito mais delicados, sempre com responsabilidade, é claro.

Mergulhar em si mesmo não é algo fácil e muitas vezes pode ser um processo doloroso com resultados indesejados.

Na música Road Home existe uma adaptação direta de um trecho da nefasta peça de teatro “The King in Yellow” (1895) de Robert W. Chambers. Dentro desse livro, Chambers utiliza a peça como o recurso narrativo que transforma seus personagens de maneira irreparável.

A personagem que acompanhamos em Road Home está prestes a tomar um caminho sem volta, deixando muita coisa para trás. Mas as consequências dessa história nós deixamos para o próximo single: Carcosa, que será lançado dia 11/04.

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