Em meio ao Setembro Amarelo, campanha de conscientização sobre saúde mental e prevenção do suicídio, Azul Marine lança “Cura”. A faixa transforma em música uma trajetória marcada por um período de profundo sofrimento psíquico, quando o artista chegou perto de desistir da própria vida, e pelo processo de superação, reconstrução e renascimento que veio depois.
A experiência faz parte de uma história que Azul Marine começou a revelar em “Torre”, single anterior inspirado em sua internação psiquiátrica. Se naquela música o artista aborda o colapso, “Cura” representa o que veio depois: a tentativa de reconstruir a própria identidade e encontrar uma forma mais autêntica de existir. Nesse processo, a arte se tornou uma ferramenta fundamental para elaborar experiências que chegaram a colocar sua própria existência em risco.
Composta a partir de 2021, “Cura” transforma essa reconstrução em um baile do fim do mundo, no qual é preciso destruir para poder renascer. A narrativa mistura o carnal e o divino, morte e nascimento, crueldade e compaixão, tendo como centro uma divindade matriarcal que representa, simultaneamente, destruição e criação.
“Muitos acreditam que a salvação vem do divino, enquanto a destruição é vista como uma maldição. Mas a própria natureza mostra que esses processos fazem parte de um mesmo ciclo. Em ‘Cura’, tentei criar uma imagem em que esses polos, aparentemente opostos, se tornam a força motriz um do outro. É preciso destruir uma personalidade que já não nos serve para que outra possa nascer. Nesse sentido, a dor da morte e a dor do parto se encontram: uma encerra um ciclo enquanto a outra anuncia um recomeço”, explica Azul Marine.
A dualidade também está na música. Com produção de Dalmas, “Cura” aproxima funk e gospel e tem entre suas referências “Glamurosa”, de MC Marcinho, “Two Weeks”, de FKA Twigs, e “Mary, Don’t You Weep”, na interpretação de Aretha Franklin. A faixa também é a única do próximo EP cujo beat original foi criado pelo próprio Azul Marine.
Lançada durante o Setembro Amarelo, “Cura” não pretende oferecer respostas simples para o sofrimento psíquico. É o registro de alguém que atravessou um momento limite e encontrou também na criação artística uma possibilidade de continuar, se reconstruir e renascer.
Neste Setembro Amarelo, o azul de Azul Marine encontra o amarelo de uma campanha dedicada à vida. Duas cores que, em “Cura”, ajudam a contar uma mesma história: a de alguém que chegou perto de desistir, mas encontrou caminhos para permanecer, se reconstruir e renascer.





























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