Vespas Mandarinas na Backstage Digital | Ed. 84

Estampando a capa da Backstage Mag, a banda Vespas Mandarinas retorna com toda a intensidade de sua trajetória no lançamento de “Polaroid”. O novo single, que chega a todos os aplicativos de música e ganha um videoclipe oficial no dia 22 de maio, às 10h, pela Marã Música, mergulha em sentimentos viscerais por meio de guitarras cruas, energia explosiva e letras afiadas que reafirmam o espírito inquieto do rock paulista.

Resgatando uma composição da época do aclamado álbum Animal Nacional“, a faixa nasce livre de filtros ou dos receios comuns aos tempos atuais, como o medo do cancelamento. Com frases contundentes sobre as contradições humanas e a busca por autenticidade em meio às aparências, o grupo aposta em uma sonoridade direta e pesada para protestar contra a atual “camisa de força” que enxerga no gênero, abrindo caminhos para o lançamento de um novo EP.

Na entrevista a seguir, os integrantes soltam a garganta e mostram o “sangue nos olhos” dessa nova fase. Sem papas na língua, a banda reflete sobre a hipocrisia e a patrulha nas redes sociais, critica o narcisismo e o politicamente correto da sociedade atual e aponta o que falta para o rock reconquistar seu impacto cultural com a espontaneidade e a dignidade que o momento exige.

Veja o bate papo completa:

“Polaroid” traz uma postura bastante direta e sem filtros, inclusive falando sobre o medo do cancelamento e a necessidade de dizer o que se pensa. Como vocês enxergam o espaço do rock hoje para esse tipo de liberdade de expressão mais crua e provocativa?

O rock virou um espaço de expressão hoje dominado sobretudo pela burguesia que ou é aquela conservadora ou aquela se diz progressista mas no fundo vive de imagem e miltância de rede social. A gente está prensado entre esses dois tipos de comportamento. Hipócrita cheios de indignação seletiva ávidos pra te cancelar no primeiro vacilo. Como diz na letra da Polaroid: “A Mão que Afaga é a mesma que dá a porrada”. Acho que as pessoas não estão preparadas pra ouvir verdades nuas e cruas. Mas a gente tá literalmente cagando pra isso.

A faixa resgata uma composição da época de “Animal Nacional”. O que fez “Polaroid” voltar à tona justamente agora, e de que forma vocês sentem que ela conversa tanto com o passado quanto com o momento atual da banda?

A gente hoje tem mais propriedade pra dizer certas coisas. Antes existiam integrantes na banda que não tinham o mesmo “sangue nos óio” e ficávamos podando demais pra dizer certas coisas. Hoje a gente tem mais tranquilidade de sermos o que somos: Autênticos Animais Nacionais

A letra fala sobre contradições humanas, autenticidade e máscaras sociais. Vocês acreditam que vivemos um período em que as pessoas estão cada vez mais preocupadas em performar versões de si mesmas?

Chegamos no cúmulo da sociedade narcisista acompanhado do cúmulo da ditadura do politicamente correto. Isso tem criado uma sensação de falta de liberdade, mas é algo diferente do período ditatorial. As pessoas defendem a própria democracia mentirosa em que vivemos. Temos liberdade sexual avançada, mas um conservadorismo absurdo em paralelo e uma confusão enorme de formação de identidade. Quase um contrassenso. Estamos tentando ainda viver com dignidade no meio de tanta patrulha e liberdade vigiada.

Vocês comentam que o rock vive um momento “nichado” e até com uma certa “camisa de força”. O que falta hoje para o rock paulista voltar a ocupar um espaço mais amplo e provocar impacto cultural como em outras décadas?

Falta a gente cair na graça do público e da indústria sem forçar a barra. Com espontaneidade e sexualidade aflorada.

Entretenimento

+ There are no comments

Add yours