Nascer e crescer em uma cultura singular não foi o caso de Tayob J.. O produtor, compositor e multi-instrumentista português é fruto de uma miscigenação entre Brasil, Polônia, Índia e Moçambique. O sangue miscigenado que corre por suas veias é o mesmo que fez com que o artista entrasse no estúdio e gravasse um álbum que traduzisse a sua identidade musical. A construção de “A Beleza do Erro” levou quatro anos e reúne grandes nomes como Criolo, Projota, Vitão, Rashid, Amaura (Portugal), Xullaji (Cabo Verde/Portugal), Sir Scratch (Angola/Portugal) e outros.
Há 15 anos Tayob J. é mestre em produção assinando trabalhos de vários artistas, seu álbum de estreia surge da vontade não só de fazer algo seu ou apresentar a sua forma de ver a música, mas também de juntar ídolos e amigos que compartilham das mesmas ideias, conceitos e ideologias. “A Beleza do Erro” é a amostra do seu DNA através das apresentações e da estética do rap, do soul e do jazz. Da metade do álbum para o final, também é possível observar em algumas canções os estilos se encontrando com referências de pop, de música indiana e palestina.
“O nome do disco se refere ao fato de eu ter insistido desde o início numa linha estética que era fora do convencional e que previa um caminho mais longo. E este disco é uma materialização dessa visão que o que podia ser um erro, no final pode ser algo bonito e artístico.” destaca Tayob J.
Na possibilidade de errar ao trazer tantas referências, temas e musicalidade, Tayob J. acerta nas onze faixas compostas no álbum. O instrumental majestoso abre a primeira música “O Erro” acompanhado das rimas de Sir Scratch (Angola/Portugal) e de Amaura (Portugal) como backing vocal. Em seguida, o single e clipe já lançado “Na Vanguarda de Mim Mesmo” vem com a letra pesada de Rashid e a força vocal do cantor Dino D’Santiago (Portugal), que está em novo projeto ao lado de Criolo e Amaro.
“Wabi Sabi” é a única canção instrumental, que mistura beat com o saxofone refinado de Kenny Caetano (Portugal). “D.R.E.A.M” traz a referência ao clássico do Wu-Tang Clan, “C.R.E.A.M”, e na letra da lenda do rap, Xullaji (Cabo Verde/Portugal), a música faz uma analogia sobre como os nossos dados viraram a nova moeda de troca para o sistema. “Quinta Essência” é a faixa solar, prova de que rap, soul e jazz combinam muito e conta com as participações dos amigos próximos Loiro (Portugal), Visco (Portugal), Mirza Lauchand (Moçambique/Portugal) e Sir Scratch. Nessa, Tayob J. quis juntar artistas que são iniciantes na música com um veterano e demonstrar que a criatividade artística não tem só a ver com as expectativas da indústria.
Já “Reza Por Dois” é cantada por Criolo, a música é leve e se deu depois de um encontro inesperado em meio a um festival em Lisboa, foi gravada no primeiro momento em Portugal e finalizada em São Paulo. Com referências da música indiana e palestina, “Pólvora” traz versos potentes e a voz de Iolanda (Portugal) é o charme para exaltar a força feminina que é atravessada por gerações, é eterna. “Não É Errado” é um pop envolvente e romântico com as vozes de Murta (Portugal) e Djodje (Cabo Verde /Portugal). “Acertos São Consequências” chega com muito flow na voz de VITÃO e Projota, a faixa aborda sobre como errar faz parte e o importante é aprender com o erro.
A penúltima, “W” vem dançante e transcende com a percussão de Bateu Matou (Portugal), Vinicius Terra recita seus versos e Selma Uamusse (Moçambique) canta com a sua voz de arrepiar. Por fim, “A Beleza do Erro” traz conversas durante o processo da gravação do álbum, o beat nostálgico casa perfeitamente com a voz de Amaura que afirma “Eu caio e levanto”. Essa foi a frase que fez Tayob decidir que seria a faixa-título, afinal, foram quatro anos entre cair e levantar até terminar a obra.
Produzido, gravado e mixado por Tayob J., “A Beleza do Erro” chega nas plataformas digitais no dia 11 de junho. O trabalho atravessa oceanos unindo pessoas de diferentes pontos do mapa-múndi e contribui com a cultura da música urbana, como uma forma de agradecimento e continuidade da carreira já de destaque do produtor.
“Acho que apresentar a minha arte para o Brasil vem mais num lugar de continuidade natural de um crescimento meu. Também a minha arte merece que eu a leve para onde ela de alguma forma pertence.” completa.






























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