Aos 20 anos, a cantora e compositora carioca Carol Gibbon reafirma seu espaço no pop nacional ao dar início aos lançamentos de seu novo EP, “5 da manhã“. Com uma escrita marcada pela vulnerabilidade e pela atenção aos detalhes, a artista transforma vivências reais em narrativas universais, consolidando uma identidade sonora cada vez mais madura, confessional e imersiva.
O ponto de partida dessa nova fase é o single “Beijo de Elevador”, uma faixa autobiográfica inspirada em um romance de viagem. Nascida em sessões de songwriting camps em São Paulo, a música combina arranjos espaciais e produção cuidadosa para criar uma atmosfera abertamente cinematográfica, que convida o ouvinte a mergulhar diretamente nas memórias e sentimentos da cantora.
Nesta entrevista, Carol Gibbon detalha os bastidores da faixa e a dinâmica de criação coletiva com grandes produtores da cena atual. Ela revela como traduziu a atmosfera da música para o conceito visual idealizado com Marcelo Jarosz e Fernando Tomaz, compartilha os motivos que fizeram do single a escolha perfeita para abrir o projeto e reflete sobre o processo de construção de sua assinatura no mercado da música pop.
“Beijo de Elevador” nasceu em sessões de songwriting camps em São Paulo com grandes produtores. Como funcionou a dinâmica de transformar uma memória pessoal tão intimista em uma produção coletiva sem perder a sua essência confessional?
Eu acho que tudo foi uma questão de conexão com os compositores, todos eles foram extremamente receptivos comigo e me deixaram muito à vontade para conseguir explicar exatamente a intenção que eu queria transmitir ao expor essas memórias. Além disso, partes da música eu escrevi na madrugada entre uma sessão e outra, então eu acho que manter a essência foi muito fácil com esse contexto.
A direção criativa e a estética visual têm um papel forte nesse lançamento, com nomes como Marcelo Jarosz e Fernando Tomaz na equipe. Como foi o processo de traduzir a atmosfera da música para a capa e o conceito visual do single?
Esse processo foi um dos mais interessantes para mim, porque eu nunca tinha feito um projeto em que o universo estético tenha sido tão cuidadosamente pensado quanto nesse. Misturar as diferentes visões que cada um da equipe tinha imaginado ao ouvir as músicas foi muito diferente pra mim porque, no começo, eu tinha uma visão muito específica do que as músicas transmitiam e, ao longo do processo de construção da imagem do projeto, eu percebi que um mesmo som pode ser interpretado de maneiras completamente diferentes por outros ouvintes.
Você descreve a faixa como extremamente visual e cinematográfica. No estúdio, quais escolhas de arranjo e timbres foram intencionalmente pensadas para criar essa sensação de “trilha sonora de filme”?
A música é muito espacial, então optamos por colocar sons que passem a impressão de que a música está sendo reverberada no ambiente. No último refrão, que é de libs, canto por baixo, uma decisão minha e dos produtores, porque dá essa ideia de que a música ocupa o ambiente. E no começo da música tem um efeito, antes da minha voz aparecer, que faz parecer com que a minha voz está vindo de uma memória.

Abrir os trabalhos de um EP com um single de transição é um momento decisivo. Do ponto de vista de planejamento e bastidores, porque “Beijo de Elevador” foi a escolhida como cartão de visitas do 5 da manhã?
Na verdade, eu escolhi “Beijo de Elevador” como o primeiro single porque ele, ao mesmo tempo que consegue transmitir a intenção e estética do EP, não entrega completamente o que ainda tem por vir.
Com apenas 20 anos, você já demonstra uma identidade sonora muito clara no pop nacional. Como tem sido construir sua assinatura e posicionamento dentro do mercado atual?
Eu acredito que todo artista musical sonha, de alguma forma, em marcar a vida de quem os escuta, nem que seja um pouco. Construir uma assinatura, ao meu ver, é conseguir se consolidar em uma imagem tão consistente que você seria capaz de marcar os seus ouvintes antes mesmo deles ouvirem o seu próximo projeto. Eu diria que ainda tenho uma longa caminhada até atingir esse patamar, mas esse processo de construção tá sendo incrível e eu só tenho a agradecer a todos os envolvidos nesse projeto que foi feito e desenvolvido com o maior carinho e cuidado do mundo.





























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