Inspirada por assalto, Dora Sanches lança “Linda e Perigosa” como crônica sobre o Rio de Janeiro

O que acontece quando o caos urbano do Rio de Janeiro se transforma em arte? Para a cantora, compositora e produtora Dora Sanches, a resposta surgiu de um episódio de vulnerabilidade que virou poesia. O novo single,Linda e Perigosa, chega às plataformas digitais como um reggae leve e irônico, traçando um retrato fiel da dicotomia carioca entre a beleza exuberante e o perigo iminente. A faixa é o segundo fôlego de seu álbum de estreia, Seda de Casulo, projeto que mergulha no autoconhecimento e na identidade da artista.

A composição nasceu em estúdio logo após o irmão da cantora ter o carro roubado na frente de casa. O incidente motivou uma conversa profunda entre Dora e os parceiros MP FreireCley e Malize sobre as sensações contraditórias de viver no Rio de Janeiro. O resultado é uma crônica musical que evita tanto a romantização excessiva quanto a demonização da cidade, preferindo focar no feitiço que o lugar exerce sobre quem decide ficar. 

“Existe algo muito próprio do Rio em olhar para situações difíceis com leveza, ironia e poesia. No fim, a música virou quase um retrato afetivo da cidade, não só do espaço físico, mas do que ela representa emocionalmente, esse lugar que te desafia, te encanta, te cansa e, mesmo assim, faz você querer ficar”, declara Dora.

Na sonoridade, “Linda e Perigosa” traz um reggae suave e solar, com uma base pop e urbana. A música convida o público a dançar, sem deixar de lado a atenção à letra. A inspiração veio de “Englishman in New York”, do Sting, refletindo a vivência da própria Dora, que veio de fora e hoje se sente profundamente carioca. A referência principal de Dora foi o clássico “Englishman in New York”, de Sting, escolha que sublinha sua posição de alguém que veio de fora para se tornar profundamente carioca. 

A faixa foi escolhida estrategicamente para abrir uma nova atmosfera estética e sonora na carreira da cantora e seu álbum Seda de Casulo, com previsão de estreia para os próximos meses e que já conta com as faixas “Mentiras” e “Ter Filhos Fortes” disponíveis nas plataformas digitais. Por ser mais urbana, irônica e solar, Linda e Perigosa marca um ponto de virada após lançamentos mais introspectivos. O som coincide com o momento do verão, período em que a intensidade do Rio de Janeiro é vivida de forma mais latente.

Quanto ao futuro álbum, a artista afirma: O público pode esperar um trabalho que mergulha em contrastes emocionais e sonoros, entre força e delicadeza, introspecção e movimento, raiz e contemporaneidade. Vai ser um projeto muito conectado com quem eu sou hoje, mais consciente da minha identidade artística e do que quero comunicar”. 

Videoclipe

“Linda e Perigosa” também ganha um clipe que transforma a música em uma pequena narrativa visual. Com roteiro assinado pela própria Dora Sanches, o vídeo traz uma história forte e afetiva, concebida para materializar a relação contraditória que os moradores e visitantes estabelecem com o Rio de Janeiro. A proposta visual está intimamente conectada à essência da canção, buscando traduzir em imagens a mistura de charme, perigo, leveza e intensidade que define tanto a sonoridade quanto a alma da cidade.

O clipe aprofunda a dualidade já presente na letra, explorando esteticamente os contrastes entre beleza e tensão, luz e sombra, encanto e risco. Em vez de entregar respostas prontas ou uma visão unilateral, a produção convida o público a sentir o Rio de Janeiro através de uma lente que é, ao mesmo tempo, afetiva e irônica. Assim como a composição nasceu de um olhar atento sobre o cotidiano, o vídeo se propõe a ser um reflexo visual dessa ideia de “feitiço” urbano, onde o lúdico e o real se encontram.

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