Beatrice na Backstage Digital | Ed. 76

Na capa da nova edição da Backstage Mag, Beatrice não apenas estampa uma imagem de liberdade sobre duas rodas, mas personifica a transição mais audaciosa de sua trajetória até aqui. Com o lançamento de “Instinto Incontrolável”, a artista mergulha em uma estética oitentista que vai muito além do visual: trata-se de um resgate emocional profundo. Unindo o vigor dos sintetizadores à delicadeza do dream pop, ela constrói um universo onírico onde a nostalgia da infância e a maturidade artística se encontram para dar voz a uma paixão que beira o surreal.

Nesta nova era, as referências de gigantes como Whitney HoustonRita Lee e Paula Toller deixam de ser apenas ídolos para se tornarem bússolas de atitude. Beatrice abraça a elegância do pop brasileiro e a intensidade das grandes divas internacionais para assinar uma sonoridade autêntica, lapidada em parceria com o produtor Hitch. O resultado é uma experiência sensorial que equilibra camadas sonoras suaves com a força de guitarras vibrantes, provando que o retrô, em suas mãos, é uma ferramenta de identidade e não apenas uma tendência passageira.

O risco e a entrega que definem este single também se traduziram para o audiovisual. Entre madrugadas frias, estradas de mão dupla e o nascer do sol na Prainha, a cantora encarou o desafio de gravar um videoclipe que capturasse a essência vibrante de sua nova fase. Nesta entrevista exclusiva, Beatrice abre o jogo sobre o processo criativo, a conexão visceral com suas raízes e como a coragem de ser verdadeira a levou a ocupar um espaço único no cenário atual.

Confira agora:

Conta um pouco sobre como “Instinto Incontrolável” se torna um lançamento que representa um novo momento da sua carreira?

“Instinto Incontrolável” marca o início da minha nova era oitentista. É um momento de reconexão com a minha essência. Eu mergulhei nas sonoridades que fizeram parte da minha infância, aquelas músicas que minha mãe colocava pra tocar em casa e que, sem eu perceber, foram moldando meu ouvido, minha sensibilidade e meu jeito de sentir a música. Existe uma nostalgia muito forte, mas não é só estética é emocional. É como se eu estivesse honrando minhas raízes e, ao mesmo tempo, apresentando uma Beatrice mais segura, mais consciente do que quer artisticamente.

Sua nova sonoridade traz nomes como Whitney Houston e Rita Lee. De que forma essas mulheres influenciaram não só o seu som, mas a sua postura artística atual?

Whitney Houston e Rita Lee são mulheres que sempre foram gigantes não só pela voz, mas pela presença. A Whitney tinha uma potência vocal absurda, mas também uma entrega emocional que atravessava qualquer barreira. Já a Rita sempre foi irreverente, autêntica, livre ela nunca se encaixou em padrões e criou a própria linguagem dentro do pop brasileiro.

Elas me inspiram a buscar sonoridades mais ousadas, com sintetizadores marcantes, aquela atmosfera anos 80 cheia de personalidade, mas principalmente me inspiram na postura: ser verdadeira, ser intensa, não ter medo de ocupar espaço. São mulheres que não pediam permissão para existir artisticamente e isso me move muito.

Como foi o desafio de unir o vigor das guitarras e sintetizadores dos anos 80 com o frescor do dream pop contemporâneo?

Existe sempre o desafio do que o mercado pode ou não aceitar. O retrô pode ser visto como tendência passageira, mas pra mim não é tendência  é identidade. Unir guitarras vibrantes e sintetizadores marcantes com o frescor etéreo do dream pop foi quase natural no processo criativo.

Eu queria que a música tivesse força, mas também leveza. Que tivesse intensidade, mas ao mesmo tempo uma sensação de sonho. E quando eu escuto o resultado, dá vontade de deixar no repeat porque é exatamente o som que eu amo ouvir.

Créditos: Marcela Travassos

Muitos artistas tentam o “retrô”, mas você buscou algo etéreo e onírico. O que o som dos anos 80 tem que conversa tão bem com o sentimento de paixão?

A sonoridade dos anos 80 me leva muito para aquela estética de filmes românticos antigos que eu assistia  histórias intensas, amores quase impossíveis, cenas ao pôr do sol, trilhas sonoras grandiosas. A paixão tem algo de exagerado, de cinematográfico, e os anos 80 traduzem isso musicalmente.

Os sintetizadores criam essa sensação de expansão, de algo maior do que a gente. É quase como se o sentimento ganhasse trilha sonora própria. E a paixão é assim, ela não é discreta, ela é dramática, vibrante, quase surreal.

A Paula Toller é uma das suas referências. Você buscou nela essa elegância do pop brasileiro para construir a identidade de “Instinto Incontrolável”?

Com certeza. A Paula Toller sempre trouxe uma elegância muito particular para o pop brasileiro. Existe uma sofisticação na forma como ela interpreta, como ela se posiciona, como ela constrói imagem e sonoridade.

Eu quis trazer essa delicadeza forte essa mistura de suavidade com firmeza. “Instinto Incontrolável” tem essa dualidade: é doce, mas intenso; é leve, mas profundo. E essa construção de identidade artística mais refinada, mais segura, tem muito dessa inspiração.

Créditos: Marcela Travassos

Trabalhar com o produtor Hitch foi fundamental para chegar nesse equilíbrio. Como foi a dinâmica de vocês para criar essas “camadas sonoras suaves”?

O Hitch é um produtor que tem uma sensibilidade muito alinhada com a minha. A gente compartilha referências, entende o mesmo universo musical. Então o processo fluiu de forma muito natural.

A criação das camadas sonoras foi quase como pintar uma paisagem: cada sintetizador, cada textura, cada ambiência tinha um propósito emocional. A gente queria que a música envolvesse, não só que fosse ouvida. Foi um processo de muita troca, muito detalhe e muita liberdade criativa.

E quanto ao videoclipe, conta pra gente como foi gravar?

Gravar o videoclipe foi um desafio enorme físico e emocional. Acordar às 3h da manhã para pegar o amanhecer já trouxe aquela atmosfera quase mágica. Mas também teve a adrenalina: subir numa moto, gravar em uma via de mão dupla, sem capacete… foi arriscado.

Existia um frio na barriga constante, mas também uma certeza de que aquela imagem precisava acontecer. O nascer do sol simboliza muito esse novo começo, essa nova era. Apesar dos riscos e do cansaço, quando eu vi o resultado final, tudo fez sentido. Ficou lindo, intenso e muito verdadeiro.

O que podemos esperar dos próximos passos da Beatrice?

Podem esperar uma Beatrice ainda mais imersa nessa estética oitentista, mas sempre evoluindo. Quero explorar mais essa mistura de nostalgia com modernidade, aprofundar as camadas sonoras e trazer visuais cada vez mais cinematográficos.

Essa é só a primeira porta de uma nova fase. Ainda tem muita emoção, muita intensidade e muita verdade vindo por aí.

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