Elas cresceram ouvindo vozes potentes nos fones de ouvido e, agora, são elas que ecoam nos palcos, nos streamings e nas redes sociais. Neste 8 de março, Dia Internacional da Mulher, Beatrice, CALI, Duda Ruas e Tuany, quatro novas vozes da cena independente, mostram como a inspiração feminina atravessa gerações e se transforma em mais músicas, mais histórias e inspiração para seguir em frente com o próprio sonho.
Entre sintetizadores, atmosfera oitentista e emoção à flor da pele, Beatrice constrói um universo que une nostalgia e contemporaneidade. A artista, que lançou o EP “Controverso” e iniciou uma nova fase com o single “Instinto Incontrolável”, reconhece em distintas vozes os pilares de sua formação. “Eu cresci muito impactada pela força vocal da Laura Branigan. A coragem estética da Madonna sempre me inspirou a entender que ser artista também é assumir conceito e posicionamento. E a liberdade irreverente da Rita Lee me mostrou que uma mulher pode ser inteligente, profunda e pop ao mesmo tempo”, afirma. Para ela, essa herança se traduz em autonomia: “Não é sobre caber, é sobre sustentar identidade. Ser mulher na música, pra mim, é ter liberdade para mudar e continuar autora da própria narrativa”, completa.
CALI segue essa ideia ao também enxergar a música como espaço de transformação coletiva. Com o recém-lançado álbum “TRAMA”, que já ultrapassa 100 mil plays, ela consolida seu “pop brasuca” ao misturar texturas eletrônicas e referências latino-americanas. A inspiração começa dentro de casa e ecoa em vozes como Gal Costa, Maria Bethânia, Mercedes Sosa e Rosalía. “A maioria das vozes que me inspiram é de mulheres. Começou com a voz da minha mãe, avó, irmã mais velha, irmã mais nova… dizendo que era capaz”, conta. Para ela, ocupar esse espaço é também abrir caminhos: “Estamos contando a nossa história e isso contribui para que outras mulheres se sintam fortes e capazes”, reforça.
Essa noção de voz ativa também move Duda Ruas. Transitando entre pop e rock com ironia e vulnerabilidade, ela prepara seu primeiro EP após singles como “Legal demais pra vc” e “Eu Tô Cansada”. Criada entre Brasília e Tocantins, carrega influências que vão de Miley Cyrus – e sua personagem Hannah Montana – a Beyoncé e Rihanna. “Eu vejo cada vez mais mulheres ativas com sua voz, mostrando pro mundo sua verdade”, diz. Em um mercado ainda desigual, reforça a dimensão coletiva dessa luta: “Sabemos que ainda é um mundo muito difícil para nós, mas todas nós estamos aqui e não recuaremos por nada até que nos ouçam”, destaca.
Tuany também traduz essa resistência em suas canções. Cantora e multi-instrumentista do ABC paulista, ela encontra na força do MPB rock sua assinatura autoral e prepara o segundo álbum após uma sequência de EPs e singles como “Cura”. Inspirada por Hayley Williams, Amy Lee, Elis Regina, Marisa Monte e Pitty, observa: “Eu vejo que as vozes — e instrumentos — femininas estão se tornando cada vez mais fortes, exigindo seu espaço”, diz. “As mulheres sempre tiveram uma representatividade grande na cena independente, mas talvez não víssemos tanto por não termos as redes sociais tão disseminadas”, completa. Mais do que discurso, a artista acredita em uma união maior e, na prática, prioriza mulheres em sua equipe e nas parcerias de composição, fortalecendo redes de apoio em um cenário que, como pontua, “no discurso é progressista, mas na prática passa bem longe disso”, finaliza.





























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