Cesário Candhí: a voz, o corpo e a dramaturgia por trás dos seis personagens que estão reinventando o clássico no Nordeste fluminense
Cesário Candhí é a nova capa digital da Backstage Mag, consolidando-se como uma das vozes mais versáteis do teatro contemporâneo feito na Baixada Fluminense. Ator e um dos dramaturgos do espetáculo “O Patinho Feio”, Candhí não apenas interpreta, mas transita entre seis personagens distintos sem sair de cena, trazendo uma performance física e vocal arrebatadora. Integrante da Trupe Investigativa Arroto Cênico, de Nova Iguaçu, ele personifica a persistência de um coletivo que, ao completar 11 anos, rompe barreiras geográficas para levar a cultura do cordel e a estética nordestina aos palcos de todo o país.
O espetáculo “O Patinho Feio”, idealizado pelo grupo e produzido por Erick Galvão, Marcos Covask e Nathália Lamim, foi contemplado no Edital Fluxos Fluminenses, e é realizado pelo Governo Federal, Ministério da Cultura, Governo do Estado do Rio de Janeiro, Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, através da Política Nacional Aldir Blanc. A montagem com dramaturgia de Beto Gaspari, Cesário Candhí e Marcos Covask é uma livre adaptação teatral em forma de cordel do conto homônimo de Hans Christian Andersen. O projeto irá realizar um circuito de cinco apresentações gratuitas pelos municípios de Nova Iguaçu, Mesquita e Nilópolis e um ciclo de três oficinas formativas.
O sucesso de público e crítica é atestado por números impressionantes: desde a estreia em 2021, o espetáculo já alcançou cerca de 12 mil pessoas e acumulou 22 prêmios, incluindo o reconhecimento do renomado crítico Dib Carneiro Neto como uma das melhores montagens infanto-juvenis do Brasil fora do eixo paulista. Mais do que entretenimento, a circulação por espaços alternativos e a realização de oficinas formativas reafirmam o compromisso da Trupe com a democratização do acesso à arte, provando que o brilho nos olhos de quem descobre o teatro é a maior recompensa do fazer artístico.
Nesta entrevista exclusiva, Cesário Candhí revela os bastidores de sua preparação para dar vida a figuras tão distintas quanto a Galinha Severina e o Jumento Genivaldo. Ele discute o processo de criação da dramaturgia “a seis mãos”, a evolução de sua performance ao longo de três anos de estrada e a importância política de ocupar as cidades da Baixada com um espetáculo premiado. O artista reflete ainda sobre como a mensagem central da peça, “todos nesse mundo têm o seu lugar”, ressoa em sua própria trajetória e na conexão emocional com o público.
Confira uma entrevista completa:
Além de atuar, você assina parte da dramaturgia. Como foi o processo de adaptar o conto de Andersen para a realidade e a estética do Nordeste brasileiro?
Essa dramaturgia foi criada a seis mãos, Marcos Covask, Beto Gaspari e eu. Não chega a ser uma adaptação, é uma releitura do conto. Eu sou nordestino, O Covask, já vem de uma pesquisa antiga sobre cordel, o Beto também tem suas raízes, então tudo caminhou para abrasileirarmos o conto dinamarquês, situando no nordeste.
Como você enxerga a evolução do seu personagem desde a estreia em 2021 até agora, após passar por tantos palcos diferentes?
A gente usa um termo às vezes, que é dizer: fulano tem o personagem nas mãos. Depois de tantas apresentações desde 2021, para um público diverso, ouso dizer, que tenho os personagens nas mãos. A gente brinca, mas se diverte mais. E quando a gente se diverte fazendo, o público se diverte junto com a gente.

O que a música original do espetáculo traz de mais essencial para a narrativa dessa “livre adaptação”?
A música que abre e fecha o espetáculo, começa com o verso: “Todos nesse mundo tem o seu lugar…”. Acredito que todo espetáculo a gente está falando justamente disso. Somos diferentes, somos diversos e podemos ser quem desejamos ser nesse mundo.
Para você, qual o significado de levar esse espetáculo premiado para municípios como Mesquita e Nilópolis através do Edital Fluxos Fluminenses?
Me deixa muito feliz a democratização dos editais de Cultura nos últimos anos no Estado do Rio de Janeiro. O Fluxos Fluminense, por exemplo, está viabilizando levar esse espetáculo a espaços alternativos para um público que nem sempre têm acesso aos grandes teatros. É muito especial levar um espetáculo premiado e de qualidade a esses municípios. E uma coisa é certa: o brilho no olho de quem tem oportunidade de assistir é diferente. Emociona.
O que achou da entrevista? Acompanhe o artista nas redes sociais! Instagram: @cesario_candhí
O Patinho Feio estreia nos palcos da Baixada Fluminense nesta quinta-feira (26), com uma apresentação especial às 14h no Teatro Sylvio Monteiro, em Nova Iguaçu. O espetáculo abre o circuito que ainda passará por Mesquita e Nilópolis, reafirmando o compromisso da Trupe Investigativa Arroto Cênico com a democratização do acesso à cultura na região.
Serviço: O Patinho Feio
26/03 – TEATRO SYLVIO MONTEIRO – NOVA IGUAÇU
14h – Apresentação do espetáculo
27/03 – INSTITUTO MUNDO NOVO – MESQUITA
10h30 às 12h – Oficina de Musicalização para crianças
13h às 14h30 – Oficina de Literatura de Cordel
15h – Apresentação do espetáculo
16h30 às 19h30 – Oficina de Figurinos
02/04 – USINA DE CULTURA DE NILÓPOLIS – NILÓPOLIS
15h – Apresentação do espetáculo
04/04 – ESPAÇO VILLELART – NOVA IGUAÇU
16h – Apresentação do espetáculo
18h – Apresentação do espetáculo






























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