Ju Rosario na Backstage Mag | Edição 71

É com imenso orgulho que apresentamos a estrela da nossa capa digital da Backstage Mag, edição 71. Ju Rosario não apenas ocupa este espaço, mas o preenche com a força de uma trajetória que redefine o significado de persistência: de artista de rua em Niterói a solista principal do espetáculo OVO, do Cirque du Soleil. A artista niteroiense, que hoje brilha sob os holofotes internacionais, personifica a união perfeita entre o talento bruto e a disciplina técnica, provando que as fronteiras geográficas são pequenas diante de uma voz que nasceu para ser universal e um sonho que jamais deixou de existir.

A caminhada de Ju é tecida com a coragem de quem já teve o céu como teto e o asfalto como palco. Se hoje ela pisa no solo sagrado do Royal Albert Hall, em Londres, é porque antes soube extrair melodia do barulho urbano e transformar o sol de 40 graus da Praia de Icaraí em energia criativa. Há uma beleza singular na sua história: a de uma artista que não esperou o convite para brilhar, mas que construiu seu próprio pedestal com uma caixa de som e a convicção de que sua arte merecia ser ouvida.

Nesta ascensão meteórica, Ju carrega consigo o “gingado” e a densidade da MPB, levando a língua portuguesa para o centro da arena do espetáculo OVO. Cada nota que ela alcança no Cirque du Soleil ressoa como um tributo às suas raízes, transformando a saudade de casa em uma ponte de conexão com públicos de todas as nacionalidades. É a prova viva de que a base sólida, forjada na simplicidade das ruas e lapidada no teatro musical, é o que sustenta os voos mais altos e audaciosos.

Em entrevista exclusiva, Ju Rosario nos conduz pelos bastidores de sua mente e coração. Ela revela como é a sensação de cantar onde seus ídolos já passaram, detalha os desafios de equilibrar a maternidade com a rotina intensa de uma turnê mundial e compartilha o frio na barriga de representar o Brasil na maior companhia de entretenimento do planeta. Prepare-se para conhecer a mulher por trás da solista, que continua a sonhar acordada enquanto vive o seu maior sonho.

Confira agora o bate papo completo: 

Ju, você diz que sua base é sólida porque começou nas ruas de Niterói. Qual é a principal diferença, e a principal semelhança, entre prender a atenção de um pedestre na Praia de Icaraí e a de uma plateia lotada no Royal Albert Hall?

A principal diferença é que o público nas ruas normalmente é surpreendido pela arte, pois muitas vezes não fazia parte do que haviam programado ou esperado para aquele dia. Já no Royal Albert Hall os espectadores já compram os ingressos para consumir a arte. Prender a atenção de alguém nas ruas eu considero mais difícil pois não dispunha de cenário, condições nem sempre ideais ou outras atrações que não fosse minha voz. Mas nos dois lugares as pessoas se emocionam, se inspiram e se divertem.

Créditos: Matthew Rood

Qual foi a primeira coisa que passou pela sua cabeça quando você recebeu a notícia de que seria a solista do Cirque du Soleil?

Confesso que foi ansiedade. Era um mundo novo, mudar de país… Uma nova rotina desconhecida. Mas eu respirei fundo e sabia que estava pronta para viver essa experiência. Me preparei a vida inteira. E continuo trabalhando pra nunca deixar esse “frio na barriga” passar e sempre me emocionar vivendo essa magia.

O espetáculo OVO tem alma brasileira. Como é a sensação de cantar em português em um palco internacional e de que forma você usa a sua voz para transmitir a cultura do Brasil para públicos que não falam a nossa língua?

Sabe, eu recebo muitos feedbacks de brasileiros que foram assistir o espetáculo e se emocionaram por “matar um pouco a saudade de casa”. Eu também estou longe de casa e sei como tem dias que é mais difícil. Então, eu uso a minha emoção e a de tantos brasileiros que me mandam mensagem para levar e apresentar nossa cultura, nossa criatividade, nosso “gingado” e claro, a alma brasileira para quem não conhece. Mas também para quem, por algum motivo, está longe do nosso amado Brasil.

Ju Rosario em seu figurino oficial como solista do espetáculo OVO / Reprodução: Instagram @jurosariocantora

Você já foi protagonista de musicais e diretora musical no Theatro Municipal de Niterói. Como essa sua experiência com atuação e arranjos vocais ajuda a compor a presença de cena exigida por uma companhia tão visual quanto o Cirque du Soleil?

Ter tido essa vivência no teatro brasileiro, que é movido pela paixão e entrega, tornou muito mais fácil estar em palcos internacionais. Nossos artistas brasileiros são guerreiros e essa garra que adquiri me fez entregar o que sei nesse espetáculo e dar tudo de mim. Eu estudo muito a técnica vocal e ela é extremamente necessária para dar conta da carga de trabalho e ter uma voz saudável, mas eu associo a emoção e vivência à técnica, para que esse conjunto possa tocar o público.

Você mencionou o impacto emocional de ter seu filho na plateia em Londres. Como é equilibrar a rotina intensa de uma turnê mundial com a maternidade e como essa vivência pessoal reflete na maturidade da sua arte?

O meu filho é o grande amor da minha vida. Por causa dele, para que ele pudesse aprender a lutar pelos seus sonhos, eu voltei a sonhar em viver da arte. Essa atual fase da minha carreira nem sempre permite que eu esteja com ele. Trazê-lo à Londres foi como um afago na minha alma. Eu tenho a benção de ter uma rede de apoio incrível. Minha mãe, meu pai e o pai do meu filho têm sido anjos que me ajudam a cuidar dele quando estou longe. Sem eles não seria possível. A maternidade me deu mais forças para realizar meus sonhos, para trabalhar a fim de dar uma vida melhor para meu filho e ser mais grata e aproveitar cada dia vivendo intensamente.

Estar no palco onde Adele se apresentou é um marco simbólico na sua carreira. Olhando para trás, para aquela Ju que ganhou seus primeiros reais cantando na rua, o que você diria para ela sobre o futuro e quais são os seus próximos planos para o trabalho autoral?

É surreal pensar nisso! Sempre me emociono quando lembro da minha trajetória. Eu diria a minha “eu do passado” que não vai ser fácil, mas que isso significa que tornará o que parece impossível mais incrível de realizar. Diria para não focar sua energia em quem desacredita ou não apoia o seu trabalho, porque nessa caminhada muitos anjos vão aparecer. Diria para continuar estudando e entregando o seu melhor, mesmo que as condições não sejam favoráveis, porque na hora certa a oportunidade certa vai chegar e estará preparada e madura profissionalmente para vivê-la.

Depois de conquistar o palco do Cirque du Soleil, qual é o seu maior sonho como artista daqui para frente?

Quero em breve levar pessoas a cantarem minhas músicas, aquelas que escrevi com o coração. Quero seguir vivendo da arte e inspirando pessoas. Quero ser conhecida como a menina que nunca deixou de sonhar, mesmo quando estava realizando sonhos.

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