Pri Jardim fala sobre “Talvez”, nova fase autoral e sua relação com o teatro

A cantora e compositora Pri Jardim lançou recentemente o single “Talvez”. Em entrevista exclusiva, a artista revelou os sentimentos e inspirações por trás da faixa, que aborda de forma leve e delicada aqueles amores que permanecem em aberto. A cantora também comenta sobre a mistura de Bossa Nova, MPB e Pop presente na música, suas diferentes referências e o momento em que finalmente sente que encontrou um caminho capaz de unir todas essas influências.

Pri ainda fala sobre o amadurecimento de sua fase autoral e a influência do teatro musical em sua forma de interpretar e contar histórias através da música. Para a artista, cada canção é uma oportunidade de despertar sentimentos e fazer com que o público se reconheça em suas histórias. Confira a entrevista completa:

“Talvez” fala sobre um amor que permanece suspenso no ar, mas sem necessariamente trazer a tristeza de um término. De onde veio a inspiração para contar essa história de uma forma tão leve e delicada?

A inspiração veio dessa ideia de que nem toda história de amor termina porque o sentimento acabou. Às vezes, duas pessoas se gostam muito, existe uma conexão muito forte, mas a vida coloca desafios no caminho, seja a distância, o momento ou qualquer outra circunstância. “Talvez” nasceu justamente dessa dúvida: será que vale a pena viver esse sentimento? Será que um dia ele encontra o momento certo?

O que eu mais gosto na música é que ela não responde essa pergunta. Ela deixa esse “talvez” em aberto, porque acho que muita gente já viveu uma situação parecida. Queria que cada pessoa pudesse ouvir e completar essa história com a própria experiência.

Você define “Talvez” como uma música que fala sobre saudade, vontade e sobre histórias que apenas esperam um momento possível. Existe alguma experiência pessoal por trás da composição?

Eu acredito que toda música tem um pouco da gente. É impossível escrever sem colocar sentimentos, vivências ou pelo menos reflexões ali. Mas “Talvez” não foi escrita para contar uma história específica da minha vida.

Ela nasceu muito mais de uma observação sobre relacionamentos e sobre como, às vezes, existe um sentimento muito bonito entre duas pessoas, mas nem sempre o tempo joga a favor. Acho que justamente por não ser uma história fechada, ela acaba sendo muito universal. Cada pessoa ouve de um jeito diferente e leva a música para a própria vida.

A faixa mistura Bossa Nova, MPB e Pop, trazendo uma sonoridade diferente dos seus lançamentos anteriores. Como foi encontrar esse novo caminho musical e o que ele revela sobre a Pri Jardim artista?

Na verdade, eu sinto que esse caminho sempre esteve dentro de mim. Desde pequena eu sempre gostei de ouvir músicas de épocas completamente diferentes. Sempre fui muito apaixonada por Bossa Nova e MPB, mesmo sendo da minha geração. Ao mesmo tempo, cresci ouvindo muito Pop e tudo o que fazia parte do universo de uma adolescente.

Como morei nos Estados Unidos quando era criança, também tive muito contato com a música internacional, então acho que fui construindo esse repertório naturalmente.

Hoje sinto que finalmente encontrei um lugar onde todas essas influências conseguem conversar. Amo a delicadeza da Bossa, a riqueza da MPB e, ao mesmo tempo, gosto de trazer uma produção mais atual. Acho que a Pri artista é exatamente isso: alguém que ama a música brasileira, mas que também quer conversar com a geração dela de uma forma leve e contemporânea.

“Talvez” chega depois de “Não Era Pra Ser Assim” e “Fecho os Olhos”, ampliando sua fase autoral. O que você sente que mudou em você, artisticamente e pessoalmente, desde o início desse novo capítulo?

Eu acho que hoje eu tenho muito mais confiança em quem eu sou como artista. No começo, eu ainda estava descobrindo que tipo de música queria fazer e como queria me expressar.

Cada lançamento representa um momento diferente da minha vida, então é muito legal olhar para trás e perceber essa evolução. Hoje eu entendo que não preciso me prender a um único estilo, porque minhas referências são muito diversas e isso faz parte da minha identidade.

Também sinto que amadureci muito na forma de escrever. Tenho menos medo de falar sobre sentimentos e mais vontade de fazer músicas que realmente conectem com as pessoas.

Você também vem construindo uma trajetória no teatro musical. De que forma a experiência como atriz e intérprete influencia a maneira como você conta histórias e transmite emoções através da música?

O teatro musical mudou completamente a forma como eu enxergo uma música. No teatro, a gente aprende que cada palavra tem um motivo para estar ali e que toda canção conta uma história.

Quando eu canto, penso muito nisso. Não quero só cantar afinado ou fazer uma interpretação bonita. Quero que quem esteja ouvindo sinta alguma coisa.

A atuação me ensinou a prestar atenção nos detalhes, nas intenções e nas emoções de cada frase. Acho que isso acabou indo naturalmente para as minhas músicas. No fim, seja no palco ou cantando uma música autoral, o que mais me move é contar histórias que façam alguém se identificar e sentir que aquela canção também poderia ser sobre a vida dela.

Ouça o single:

Entretenimento

+ There are no comments

Add yours